Lençol sobre a cabeça, confere. Rádio ligado no mais esgoelento locutor esportivo que eu achei, confere. Motos de um filho de uma ursa manca rugindo na rua, como fere, âh, confere. Duas rolhas de algodão tamanho jumbo em cada ouvido até encontrar uma com a outra, confere. Ficar repetindo na cabeça bing, bing, ding, dong, shong, wong, clang, being, confere.
O Fantástico vai falar do Elvis. Eu não assisto a Globo. Tem dez anos. Até desconecto a antena. Mas os vizinhos ouvem tudo que vem cuspido do centro nervoso irritante e besta da cultura popi brasileira. E ouvem como autênticos brasileiros unidos que constrõem a estrada trans amazônica: arregaçando!
16 de julho. A maior verdade sobre Elvis é revelada. Ele já estava morto havia um mês quando morreu. Foi mantido vivo com injeções de pasta de amendoim entre os dedos do pé. E soro ligado direto com óleo de cozinha usado pra fritar hambúrger. Não deu, entupiu o canudo. E as artérias fugiram pro banheiro. Foram elas que morreram lá. De nojo.
Suspicious Minds. Não há uma voz cantando, deve ser um grupo de morcegos obesos que não voam mais treinando guinchos, ieeeeéee ieeeeeé. Mmm, mmm. Hino internacional de todas as costeletas que andam sozinhas sem uma terminação nervosa no meio delas que precisam rebolar errado e demonstrar a grandeza do original, provando que ele podia cair duro em Omaha que tudo iria ser pior sem ele. This is the moment. I can hear my heart singing, tum, tum, tum ... tummm ... .... ... ... ... ... .. .
Enrolar o colchão na cabeça, não dá. Desmancha o topete. Serrar a cabeceira da cama com uma faquinha de pão pra fazer mais barulho, não dá, os ratos tão usando ela na cozinha agora. Turno é turno, tem que respeitar. Ligar o computador e ouvir o verdadeiro, não dá, tem pasta de amendoim demais no teclado. Sair na rua e ser atropelado, nemm, gesso branco pelo corpo todo pode parecer jumpsuit. A vingança da Múmia é imitar o Elvis para os invasores de pirâmide por toda a eternidade. Echarpe? É gaze, jumento. Jogar o sapato na parede, não dá, só tenho um e preciso dele pra procurar outra casa amanhã. No deserto. De Gobi. O de Nevada também vive cheio de covers.
Delciputo, Fantástico é show da vinda de Jesus Cristo, o Salvador-BA, no corrente ano de Elvis e os não seus 12 aposto que eles imitam Renato Russo e Cazuza.






